sábado, 12 de dezembro de 2009

Copenhague vira palco de protestos pelo clima


A calma e organizada Copenhague se transformou em um movimentado palco de manifestações a favor de um pacto climático capaz de reduzir as emissões dos gases do efeito estufa no mundo. Nesse sábado, dia 12 de dezembro, as manifestações ganharam vulto e a polícia dinamarquesa mostrou-se tensa e com medo de perder o controle da situação.

Em uma ação exagerada para conter as manifestações de agora até o fim da conferência, a polícia prendeu cerca de 70 ativistas, alegando que muitos estavam jogando pedras contra os políciais e outros vestiam máscaras para esconder seus rostos, o que é proibido pela legislação dinamarquesa. Alguns dos ativistas detidos, como dois britânicos, foram deportados imediatamente para os seus países. Ninguém confirmou que os manifestantes atiraram pedras contra os policiais.

Na entrada do Bella Center, centro onde acontece a conferência, muitas pessoas ainda enfrentavam o vento gelado e o frio de dois graus para se credenciarem para a semana final das negociações. A expectativa é de que durante toda essa semana as organizações da sociedade civil organizem seguidos protestos para chamar atenção dos 105 chefes de Estado que estarão presentes na conferência.

A maior parte das manifestações vem sendo feita de forma pacífica e bem humorada, como militantes vestidos de urso polares e pinguins carregando uma placa: "salvem os humanos". Muitos dinamarqueses, sobretudo jovens e adolescentes, integraram as marchas pela cidade neste sábado, mostrando o apoio da população da cidade, uma das mais ecológicas do planeta. Copenhague, que foi apelidada como Hopenhagen (trocadilho com a palavra hope - esperança em inglês) tem a meta de zerar sua taxa de emissões até o ano de 2025.

Vegetarianos

Entre os grupos de ativistas mais presentes estão os vegetarianos de todo o mundo.O consumo de carne é hoje um dos maiores vilões das emissões de gases do efeito estufa. O Brasil, por exemplo, tem 50% de suas emissões oriundas do setor da pecuária. Por isso, muitos vegetarianos percorrem as ruas de Copenhage com a placa: "seja vegetariano (be veggie)".

Desmond Tutu

Amanhã (domingo) às 11h30 da hora local, o arcebispo sulafricano e ganhador do Nobel da Paz, Desmond Tutu, fará sua participação com um pronunciamento para sensibilizar os negociadores a chegarem a um acordo até o próximo dia 18.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Protocolo de Tuvalu divide países em desenvolvimento

Tuvalu, um pequeno país do Pacífico com uma população de aproximadamente 15 mil pessoas, foi responsável por uma grande movimentação no terceiro dia de negociação em Copenhage. O país, que corre o risco de afundar no oceano devido ao aquecimento global, propôs a criação do Protocolo de Tuvalu, com metas rígidas e imediatas de redução de emissões, em substituição ao Protocolo de Kyoto.

A proposta de Tuvalu foi bem aceita por grande parte dos países africanos, das ilhas do Pacífico e pelos países mais pobres que integram o G77 (grupo composto por 130 países em desenvolvimento, mais a China). Entretanto, as potências emergentes, como Índia e China foram prontamente contrárias à proposta, uma vez que Tuvalu exige metas obrigatórias de redução de emissões dos gases do efeito estufa por parte das maiores economias do mundo em desenvolvimento.

Foi imediatamente criada uma divisão no G77: de um lado os que apóiam a continuidade do Protocolo de Kyoto, no qual apenas as nações industrializadas devem ter compromissos obrigatórios, e de outro os que defendem um novo Protocolo, no qual as economias emergentes também devem assumir metas.

Vários grupos da sociedade civil manifestaram-se favoráveis a Tuvalu e gritavam no Bella Center: "Tuvalu is the real deal" (Tuvalu é o acordo de verdade).

Impasse

Entre os países ricos também há grande impasse. A União Europeia condicionou a sua presença no acordo que deve entrar em vigor após 2013 à entrada dos Estados Unidos, Japão e de outros países industrializados. Os EUA, por sua vez, já manifestaram que não farão parte de um acordo nos moldes de Kyoto, isto é, sem que haja compromissos por parte das economias emergentes. Além disso, o país é contrário aos repasses de dinheiro para o combate às mudanças climáticas para países em desenvolvimento como a China, por exemplo.

"Não há nenhuma chance. Queremos direcionar os nossos dólares para os países mais pobres. A China tem uma economia dinâmica, está sentada em uma reserva de US$ 2 bilhões. Não creio que seja a primeira candidata para receber recursos públicos", ressaltou Todd Stern, assessor para mudanças climáticas da Casa Branca.

Money talks

Nestes primeiros três dias de negociação já ficou muito claro que serão muito duras as negociações em relação a um acordo financeiro para definir o montante de recursos e a quem serão feitos os repasses, um dos temas fundamentais nesta COP 15.

Em uma economia globalizada e altamente competitiva, nenhum país quer saber de investir recursos nos seus concorrentes e muito menos assumir metas de redução de emissões sem que o outro lado também tenha compromissos.


Polícia teme violência nos protestos pelo clima e invade albergue de ativistas

Objetos apreendidos pela polícia dinamarquesa nos albergues onde estão hospedados milhares de manifestantes de organizações ambientalistas. São esperados entre 30 mil e 40 mil manifestantes em Copenhage na semana que vem, quando chegam os chefes de Estado e se iniciam as negociações finais na conferência do Clima.

O habitual clima pacífico que marca as reuniões sobre mudanças climáticas da Onu pode dar lugar a uma série de manifestações vigorosas, bem ao estilo "reunião do G8", na semana que vem em Copenhage. A polícia dinamarquesa teme que haja violência e desobediência civil nos protestos conduzidos por organizações da sociedade civil com intuito de pressionar os 105 chefes de Estado que estarão presentes na semana final das negociações. No entanto, a detenção de 200 ativistas foi um exagero da polícia, uma vez que nenhum material apreendido era proibido.



Uma multidão de jornalistas

3.500 jornalistas de todo o mundo foram credenciados para cobrir a conferência do Clima em Copenhage. A cada passo da negociação, uma verdadeira multidão de jornalistas cerca os principais negociadores e especialistas em busca de informações. Essa é sem dúvida a COP de maior visibilidade de todos os tempos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Muita tensão no segundo dia de negociações em Copenhague

Negociadora do Haiti leva mãos ao rosto após dia de muita tensão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento em Copenhague. A busca por um consenso capaz de estabelecer o novo pacto climático global terá que superar todo tipo de obstáculo político e econômico para ser estabelecido. Muitos interesses financeiros estão em jogo nesta COP 15.


O vazamento de um documento, chamado "texto dinamarquês", que vinha sendo elaborado praticamente a portas fechadas pelo Reino Unido, União Européia e Dinamarca causou muita tensão, hoje, nas negociações do clima em Copenhague. O documento é um esboço de uma proposta que dá mais poder aos países ricos e diminui o poder de intervenção das Nações Unidas no futuro acordo climático que está sendo negociado nesta conferência.

O documento foi recebido com profundo mal-estar, como informou o jornal britânico "The Guardian", que teve acesso exclusivo a um relatório confidencial dos países em desenvolvimento.
Neste relatório, os países criticam o fato da proposta enfraquecer o papel da Onu no gerenciamento dos recursos a serem investidos em mudanças climáticas, além de obrigar os países em desenvolvimento a assumirem metas obrigatórias de redução de emissões.

A proposta do "texto dinamarquês" traz ainda um verdadeiro "cavalo de tróia" para os países em desenvolvimento: não permitir que as emissões per capita ultrapassem 1,44 toneladas de carbono por pessoa em 2050, enquanto nos países ricos esse limite ficaria em 2,67 toneladas.

"Este é apenas um projeto, mas destaca o risco de que quando os países ricos se unem, os mais pobres saem feridos", alertou o conselheiro de política climática da Oxfam Internacional, Anthony Hill, ao jornal Guardian.

Outro ponto polêmico foi o fato de tirar da Onu a gerência dos recursos do fundo de mudanças climáticas, a ser criado para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem e a mitigarem os efeitos do aquecimento do planeta. Para Hill, a proposta de dar essa gestão ao Banco Mundial e ao GEF (Global Environmental Facility) representa um passo para trás nas negociações.

Risco de retrocesso

A coordenadora de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade do Ministério do Meio Ambiente, Andrea Souza Santos, já havia previamente alertado para o risco de Copenhague representar um retrocesso às negociações caso avanços obtidos com o Protocolo de Kyoto fossem perdidos. Criado em 1997 e ratificado em 1999, o Protocolo foi arduamente discutido até sua entrada em vigor em 2005 e representa, hoje, o único instrumento legal que impõe metas de redução de emissões dos gases do efeito estufa.

Para que as conquistas passadas não sejam perdidas nesta COP 15, o secretário-executivo da Onu para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, vem sendo enfático em dizer que o Protocolo de Kyoto não expira em 2012. "O que termina em 2012 é apenas o seu primeiro período de compromisso (2008-2012)", afirmou de Boer para evitar um possível esvaziamento do mecanismo. De 2012 a 2020, passará a vigorar, portanto, o segundo período de compromisso, com novas metas mais elevadas do que as estabelecidas anteriormente.

Demora causará mais danos, alerta Pachauri

Rajendra Pachauri, cientista indiano ganhador do Nobel da Paz pelos seus esforços para elaborar dados científicos sobre as mudanças climáticas, mostra-se muito preocupado com o caminhar das negociações em Copenhage.

O chairman do IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas), instituição que reúne cientistas de todo o mundo, fez um alerta aos líderes mundiais: "As claras evidências das mudanças climáticas são impressionantes. O mundo só irá se beneficiar com uma rápida ação, enquanto a demora só causara mais danos e custos cada vez mais elevados", ressaltou Pachauri.

Assim caminha a humanidade...


Caveiras expostas em frente ao Bella Center (Centro de Conferência onde ocorre a COP 15), em Copenhage, simbolizam dramaticamente os riscos que a humanidade está correndo caso não haja uma resposta imediata dos países para conter suas emissões de gases do efeito estufa.